Perdida num mundo que não conhecia ela se deu a oportunidade de experimentar. Resolveu fazer tudo que em muito tempo não havia feito. Eu diria até que ela enlouqueceu, tirou os pés do chão e se pôs a voar. Enquanto planava no mundo ela experimentava sensações desconcertantes, ora era feliz, ora era triste, mas enquanto voava tudo lhe parecia normal. Quando cansava de suas experiências malucas ela pousava e com os dois pés no chão percebia que havia voado alto demais. Quantas vezes voou e pousou? Quantas vezes errou e se arrependeu? Essa menina maluca se perdeu nos seus vôos... Quando desistiu de voar não havia mais terra firme pra que ela pudesse seguir, suas experiências adquiridas durante suas viagens viraram bagagens pesadas, as quais ela já não conseguia mais se livrar. Mais uma vez estava perdida, mas agora conhecia parte do mundo e já era mais experiente. Então resolveu procurar o que havia deixado enquanto viajava, procurou, procurou, procurou e quando encontrou percebeu que aquilo que havia deixado já estava em outro lugar. A pobre menina ficou desconcertada, agora ela não tinha mais céu pra voar e nem mais chão para seguir. Resolveu saber por que aquilo estava ali tão longe, quando ela havia deixado tão perto, e então descobriu que na verdade aquilo também estava voando. Resolveu sentar num banco e viajar sem voar. Num breve cochilo viajou até o mundo que conhecia antes de suas viagens, e suspirava em lembrar os bons momentos que aquele mundo lhe havia proporcionado. Na delirante viagem de sua memória ela sentiu uma turbulência, a lembrança do momento de sua primeira partida arrepiou todos os pêlos do seu corpo, começava a lembrar que aquilo que ela sentia saudades durante as viagens, foi o que a fez levantar vôo, lembrou que aquilo que ela tanto adorava, há tempos voava e pousava, antes mesmo dela partir na sua primeira jornada. Lembrava como ficava triste quando aquilo levantava vôo, e como seu coração se acalmava quando voltava. A menina despertou, e lentamente as memórias foram se misturando com o presente. De longe ela avistou aquilo vindo em sua direção, ele acabava de pousar de um de seus longos vôos e queria saber por que ela havia voado. A menina não sabia explicar o porquê de suas viagens, e aquilo não conseguia entender por que ela tinha viajado. Quando ela ia perguntar por que ele nunca parou de viajar, aquilo foi se afastando e ela acabou o perdendo de vista. A menina não entendeu por que ele nunca ficava com os pés no chão, e aquilo não entendeu porque um dia ela também resolveu voar.
2 comentários:
as vezes também me perco e o céu parece não mais existir... acho que por isso resolvi criar o meu próprio, aqui tudo acontece do jeito que eu quero... vem passar uns dias comigo... ele tá escuro eu sei, mas com o nosso brilho ele pode ficar um pouquinho mais claro!
uau!
tah arrebentando, Armenia. beijao!
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