quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Maria....


Faz tempo que não escrevo, faltava inspiração.
Talvez porque inventaram remédios que nos “tiram” a tristeza, e como disse Vinícius uma vez, um bom samba precisa de um bocado de tristeza, e acho que um bom texto também...
Mas desta vez as palavras não vieram da angustia da solidão, e nem das incertezas do coração...As palavras vieram de outras palavras...
Não que a vida ande as mil maravilhas...
Me sinto um pouco inútil quando acordo no final do Vídeo Game para assistir as loucuras da Heloísa, naquela novela que vale a pena ver de novo, afinal, que mulheres não são mulheres apaixonadas?
Cada uma com a sua loucura, cada loucura com seu fundamento e cada fundamento com seu próprio nome...
E quem entenderá as loucuras se não compreendem os fundamentos... Um nome pode dizer muito, mas nunca tudo...
É só olhar pra mim... Quantos milhões de significados traduzem Maria?
Maria, a santa que gerou Jesus... E de santa eu não tenho nada...
Maria Madalena, a pecadora,... Quem nunca pecou que atire a primeira pedra...
Maria Antonieta, a rainha francesa... Eu não sou rainha nem do meu próprio mundo...
Tantas Marias na história, tantas Marias no dia a dia...
Quem nunca teve uma empregada chamada Maria? Uma Tia? Uma avó? Maria da Silva, Maria Aparecida, Maria alguma coisa...
Acho que não existe nome com maior amplitude de significados que o meu...
Talvez por isso seja tão difícil de me traduzir...
Tentei ser santa... Não deu
Fui pecadora... Ah, e quantas pedras me atiraram...
De rainha eu só brinquei, mas acho que de Antonieta herdei a paixão pela alta corte...
Das Marias cotidianas levei a força, mas talvez tenha esquecido um pouco da garra...
Toda Maria tem seu Q... E acho que também devo ter o meu...
De “mulheres apaixonadas” passei para as Marias do mundo, talvez porque esse seja o ponto que ninguém jamais entenda em todas nós...
Somos apaixonadas, cada uma por alguma coisa, ou por um certo alguém...
E como fazer desapaixonar?
E como compreender?
E como aceitar?
Não existem respostas para estas... Existe apenas o respeitar...
Sou Maria Santa Madalena Antonieta da Silva Aparecida Alguma coisa Tchilian da Costa
Me olhem como quiserem, me julguem caso puderam, me compreendam se conseguirem, mas me respeitem por eu ser quem sou...
“Uma mulher que merece viver e amar como outra qualquer do planeta”.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Desentupimento...


Que bom seria se tudo se resolvesse com um desentupidor...OK,pode ser também com coca-cola, ou até com soda cáustica , desde que desentupa.... Tudo seria mais fácil se fossemos apenas pias... sim pias...vasos sanitários entupidos são podres...claro que tem aquelas pessoas que se contextualizarmo-nas seriam grandes privadas, mas falo de gente mais leve...como uma pia de cozinha...que de costume deve ser limpa...Imagina quantas pias entupidas não circulam por ai... A estafa criada pelas mentiras, desilusões, pela falta de valores formam uma crosta pesada na garganta... o bode existe mas não conseguimos engolir, nem jogá-lo pra fora.. E aquela coisa engasgada incomoda e acomoda... as coisas começam a acumular na falta de espaço, na falta de percepção, na falta de entendimento. Eu queria ser desentupida como uma pia qualquer... a sujeira sai e num instante ela já está funcionando...E precisamos funcionar... Eu pelo menos preciso que a água escorra e que as sujeiras caiam diretamente no esgoto.... Precisamos ser límpidos, transparentes pra poder enxergar as coisas, pra saber direcionar as águas pros canos certos... O que é, é! O que não é não é! E o que fica no meio do caminho nunca foi nada... e nunca vai ser...só serve para impedir a água de escorrer... Vamos nos desentupir!

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

The end has no end...



É confortante ouvir a voz enlouquecedora do Casablancas dizendo ao som distorcido do microfone que o final não tem fim... Da mesma forma que é angustiante ficar perdida entre o “meio” de tantos “ends”.... Tantas coisas absurdas e tantas coisas sem explicação. Ô mundinho contraditório... As pessoas te querem por inteiro...braços, pernas, corpo, cabeça, pensamentos e coração, mas quando você precisa só de uma mão, os braços se cruzam.... Como entender que uma pessoa quer, não querendo? Como acreditar que é verdadeiro, quando só existe mentira? Simplesmente não se entende, não se acredita...e enquanto houver perguntas sem respostas, os diabinhos irão te cutucar sem parar com suas tridentes afiadas, e mesmo que todos os arcanjos resolvam descer no seu ombro ecoando algum canto de salvação, a tentação sempre é maior...Eva que o diga...Ela abocanhou a maçã, e cá estamos nós, bem longe do paraíso.... Claro que em alguns casos, a tentação não é uma maça, e o que se perde está bem distante de ser um paraíso... mas toda ação tem uma reação, e as reações nem sempre são como esperamos... Quem age, muitas vezes é sem pensar, e quem reage nunca pensa....nesse age e reage, o que era um nada vira um tudo, e o que era tudo se desfaz no nada.... E então só nos resta procurar o velho e bom cd dos Strokes, botar o Casablancas cantarolando no último volume e acreditar que "The end has no end"...

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Continuação....Do céu para o quarto escuro


Ela era Malu, aquilo era Gabriel. Os vôos que haviam levantado acabaram distanciando de vez aquelas duas criaturas que há tanto tempo estavam acostumadas uma a outra. Malu já havia experimentado essas sensações algumas vezes, mas desta vez elas haviam provocado cicatrizes mais profundas. O buraco que se formou na boca de seu estômago fazia com que o ar que entrava em seu corpo enquanto respirava ecoasse em sua mente conturbada. Seus olhos já haviam perdido o brilho que só voltava nas horas que se colocava a chorar. Suas pernas já não sabiam para onde andar, e suas mãos pareciam querer encontrar algo impossível. Os dias de sol já não lhe importavam, pois a única coisa que a confortava era a escuridão de seu quarto. As bagagens pesadas que trouxera outrora de suas viagens pareciam pesar-lhe em suas costas, e nas quatro paredes que a envolviam, as únicas coisas que se faziam presentes eram a carga das malas e a saudade do que um dia a mantivera com os pés no chão. Gabriel parecia não se importar com a distância provocada, e continuava a voar na imensidão. Seus vôos eram cada vez mais altos, e suas viagens cada vez mais longas. Ele já estava envolvido com os prazeres do mundo, e cada vez mais se acostumava com a liberdade proporcionada pelo ar. Às vezes pensava em Malu, mas o não entendimento do porque ela também havia voado acabava provocando a raiva ao invés da saudade. Claro que algumas vezes mesmo envolto por uma multidão ele se sentia solitário e era nessas horas que seu coração se enchia de ternura quando lembrava do sorriso dela que tantas vezes iluminou o seu rosto. Surgia então a vontade de vê-la, ouvi-la e quem sabe abraçá-la, e quando parecia que ia pousar, o vento o soprava o mais alto que podia, e quando se dava conta a vontade já havia passado. Malu não tinha o vento a seu favor para esquecer o que almejava, suas vontades permaneciam dia a dia, hora a hora, minuto a minuto e os questionamentos de como Gabriel conseguia torná-la invisível atormentavam-lhe o tempo todo. Fechada no quarto escuro ela não conseguia enxergar as possibilidades, enquanto ele lá do alto enxergava perfeitamente todos os lugares em que poderia pousar, de lá só não avista Malu, que envolvida pela escuridão não permitia ser enxergada.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

E um dia ela também resolveu voar...


Perdida num mundo que não conhecia ela se deu a oportunidade de experimentar. Resolveu fazer tudo que em muito tempo não havia feito. Eu diria até que ela enlouqueceu, tirou os pés do chão e se pôs a voar. Enquanto planava no mundo ela experimentava sensações desconcertantes, ora era feliz, ora era triste, mas enquanto voava tudo lhe parecia normal. Quando cansava de suas experiências malucas ela pousava e com os dois pés no chão percebia que havia voado alto demais. Quantas vezes voou e pousou? Quantas vezes errou e se arrependeu? Essa menina maluca se perdeu nos seus vôos... Quando desistiu de voar não havia mais terra firme pra que ela pudesse seguir, suas experiências adquiridas durante suas viagens viraram bagagens pesadas, as quais ela já não conseguia mais se livrar. Mais uma vez estava perdida, mas agora conhecia parte do mundo e já era mais experiente. Então resolveu procurar o que havia deixado enquanto viajava, procurou, procurou, procurou e quando encontrou percebeu que aquilo que havia deixado já estava em outro lugar. A pobre menina ficou desconcertada, agora ela não tinha mais céu pra voar e nem mais chão para seguir. Resolveu saber por que aquilo estava ali tão longe, quando ela havia deixado tão perto, e então descobriu que na verdade aquilo também estava voando. Resolveu sentar num banco e viajar sem voar. Num breve cochilo viajou até o mundo que conhecia antes de suas viagens, e suspirava em lembrar os bons momentos que aquele mundo lhe havia proporcionado. Na delirante viagem de sua memória ela sentiu uma turbulência, a lembrança do momento de sua primeira partida arrepiou todos os pêlos do seu corpo, começava a lembrar que aquilo que ela sentia saudades durante as viagens, foi o que a fez levantar vôo, lembrou que aquilo que ela tanto adorava, há tempos voava e pousava, antes mesmo dela partir na sua primeira jornada. Lembrava como ficava triste quando aquilo levantava vôo, e como seu coração se acalmava quando voltava. A menina despertou, e lentamente as memórias foram se misturando com o presente. De longe ela avistou aquilo vindo em sua direção, ele acabava de pousar de um de seus longos vôos e queria saber por que ela havia voado. A menina não sabia explicar o porquê de suas viagens, e aquilo não conseguia entender por que ela tinha viajado. Quando ela ia perguntar por que ele nunca parou de viajar, aquilo foi se afastando e ela acabou o perdendo de vista. A menina não entendeu por que ele nunca ficava com os pés no chão, e aquilo não entendeu porque um dia ela também resolveu voar.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Ele dormia...ela acordava...Ele acordava...ela sonhava


Enquanto ele dormia espalhado pela cama pequena, ela estava acordada encontrando a posição certa para não incomodá-lo. Quando pegava no sono e seu corpo involuntariamente escapava para o lado, ela o beijava como um pedido de desculpas por quase tê-lo acordado. Na hora em que despertava sentia um prazer enorme em saber que mesmo espremida, mesmo tendo uma noite mal dormida ela acordara quente pelo calor do corpo dele que ao lado dela estava. Bastava apenas saber que ele estava ali, e mesmo quando ele acordava com o humor não tão agradável, ela sorria e acariciava a barba mal feita que tanto gostava. Algumas vezes ela dormia antes dele, corria para o canto da cama que mais gostava e apagava com o cansaço resultante de um dia cheio. No meio da noite percebia o corpo dele se revirar desajeitado pelo pouco espaço que havia deixado para ele deitar, em seguida sentia o macio de seus lábios em sua face e uma mão ajeitando-a delicadamente. Geralmente nesses dias ele acordava antes dela, e ela só despertava com o peso do corpo dele em cima do seu, nesses momentos nem se dava o trabalho de abrir os olhos, continuava sonhando, mas acordada lhe permitia tocá-lo e ser tocada...

Porque...


Quisera um dia entender por quê? Como uma criança que aprendia porque o céu era azul, porque as nuvens pareciam de algodão, porque estrelas brilhavam tanto... ela também queria saber os seus porquês... Mas não havia pai e mãe que soubessem responder o por quê de tanto sofrimento....

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Pensamento


Às vezes gostaria de não pensar, gostaria que minha cabeça fosse apenas a parte envolta do cérebro vazio. Gostaria de caminhar por ai sem refletir sobre meus atos, sem me entristecer pelos acontecimentos, sem me aborrecer pelo cotidiano. Às vezes gostaria de ser um robô. Acordar, escovar os dentes, tomar meu café, ir trabalhar, ficar trabalhando as 8 horas que me são determinadas, voltar pra casa, comer, tomar um banho e dormir. Como seria bom ter apenas um dia desses. Um dia sem pensar em nada, um dia sem tristezas, sem mágoas, sem desentendimentos, um dia nulo, mas produtivo. Pensar, pensar, pensar, é isso que nos faz mal e que nos corrompe. Pensar demais nos impede de agir, nos deixa estagnados no meio do nada, não nos permite seguir em frente e nem voltar pra trás. Pensar é o dom humano que eu não gostaria de ter. Sem pensar não nos apaixonaríamos e não sofreríamos de amor, sem pensar nunca estaríamos errados e nunca teríamos que nos desculpar, se não pensássemos não haveria mágoas e nem arrependimentos... Mas aqui está ele me atormentando para lembrar que ele existe, aliás, existe e coexiste. O pensamento é quase como um Deus, talvez “um ser” onipresente, que sem que saibamos, ou sem que queremos persiste em nos acompanhar.....e é este tal pensamento que nos tira o sono, que nos enlouquece, que nos faz quebrar a cabeça.....Eu que já não agüento mais pensar, queria ser apenas uma caixa de memórias, um lugar em que todas as informações ficassem armazenadas, em que os momentos fossem eternizados, mas que os pensamentos não existissem para bagunçar o que ficou ali pra ser guardado.

Caminhando...


Parecia forte e relutava contra as sensações que há tempos já lhe eram cotidianas. Respirava fundo e mais profundamente sentia que o peso já era sustentável. Caminhava em frente, cabeça erguida e passos firmes. Parecia estar chegando onde queria, ou talvez onde jamais quisesse realmente chegar... estava próxima, descobriu que o caminhar estava certo, mas o caminho completamente errado. Ela não queria caminhar pra onde estava caminhando, mas caminhava porque já não conseguia mais ficar parada no mesmo lugar....