domingo, 20 de março de 2011

PODE SER PEPSI!


Chega de Coca-Cola, chega da ditadura do que já foi, pode ser Pepsi, SIM, garçom, de preferência com umas pedrinhas de gelo e sem limão, que é pra não azedar. Quero sentir o gosto bom da novidade, quero me surpreender com o novo sabor, quero descobrir a sensação de felicidade ao experimentar a minha nova escolha.
Tenho que parabenizar os publicitários criadores do filme desse refrigerante, um retrato da realidade cotidiana, e não digo isso pela paródia retratada, que se resume na briga pela concorrência entre grandes empresas, digo isso pelo relato que tal reclame faz de nossas vidas sem que percebamos.
Costume, acomodação e medo são palavras que fazem toda a diferença na hora de escolher, e são os fatores principais que nos impedem de mudar. Claro, que nem sempre toda mudança é boa, e nem toda troca vale à pena, mas como saber sem tentar? Por experiência própria, eu prefiro ficar com aquele velho ditado que diz: É melhor se arrepender do que fez, do que se arrepender de não ter feito. Eu concordo plenamente, porque se arrepender do que fez tem o seu lado bom, que é o aprendizado, agora, o que tem de bom em se arrepender daquilo que nem sabemos o que é? Nada, alías, tem de ruim, porque a nossa vida pode continuar a mesma sem aquele passo que deixamos de dar, mas a angústia de não saber o que aconteceria se tivéssemos seguido em frente, vai permanecer pra sempre em nosso caminho.
Tomei tanta Coca-Cola nos últimos anos que percebi que vivia "embriagada". Minha visão das coisas era turva, tinha picos de falsa alegria e de tristeza absoluta, andava cambaleando, e nem lembrava mais a Maria que eu era, tudo por causa daquelas 3 palavras "malignas" que não me permitiam dizer sim ao garçom, quando ele fazia a "temida" pergunta: Pode ser?
Finalmente resolvi dizer sim, e estou "sóbria" há alguns meses. Quando se descobre o sabor da novidade, percebemos o quão insosso era o que estávamos acostumados.Pra mim, beber Pepsi foi como ingerir felicidade.
O grande negócio da vida está naquilo que nos permitimos, não adianta reclamar, se lamentar, cruzar os braços, e deixar tudo exatamente do jeito que está, se não tiver Coca-Cola, não pede Guaraná, não vale trocar 6 por meia dúzia, você também já sabe o gosto do "Antártica", tenta a Pepsi, não se acomode, o gostoso de se viver é poder experimentar.
EX-PE-RI-MEN-TA....EX-PE-RI-MEN-TA...EX-PE-RI-MEN-TA!!! E quando o garçom perguntar, não titubeie, porque eu garanto que pode ser melhor!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A minha regra é a exceção...

Exceção....na vida tudo poderia vir dela. As regras são chatas, transformam o dia a dia num jogo padronizado. Eu, geminiana nata, que já pela posição dos astros, odeio o cotidiano, a rotina e a mesmice, gostaria de ser a exceção de todas as regras. Ser exceção é muito melhor do que fazer parte daquilo que a sociedade impôs que todos fossem. Somos peões de um tabuleiro mal organizado. Talvez por isso eu sempre perca o jogo. Não gosto que mexam no meu peão, que me façam pular "uma casa”, ”voltar três”, ou “ficar uma vez sem jogar”. No meu tabuleiro quem manda sou eu. Jogo quando quero, e se o dado cair no 1, eu jogo até que ele pare no 6. A vida regrada é sem graça, banal, hipócrita. Ninguém é aquilo que é, todos são aquilo que os outros desejam que sejam, talvez por isso poucos me compreendam e muitos não sabem como me interpretar. Quem me olha, não me enxerga. No físico, tenho a aparência daquelas que entortam o nariz, aquelas que nunca topam nada, as mesmas que possuem aquelas caras de "não me toquem". Cegos aqueles que fazem da primeira impressão a razão. Querer me interpretar supera as barreiras do entendimento, simplesmente porque tenho em mim algo que poucas pessoas possuem: a falta de medo. Não que isso seja bom, porque não ter medo atrapalha, e muito. Sem a barreira dos "temores" a gente se joga, perde a noção, não enxerga limites, e vive sem os pés no chão. E eu sou assim... "jogada" sem jogar. Meus atos, pequenos pra mim, causam gigantes turbulências. Não faço rodeios, digo tudo o que penso, e na forma que eu acho que tenho que dizer. Não, isso não é bom. Talvez me falte uma hipocrisia comedida para balancear, aquela coisa de ser, mas não transparecer que todos adoram. Mas, infelizmente não sou hipócrita e transpareço, e ái de quem resolver me dar uma bronca por eu ser Maria de mais. Minhas amigas que vos digam. Elas são o resquício da minha hipocrisia, são elas que me lembram que apesar de eu querer, nem sempre posso ser a exceção de tudo. São elas as vozes que me amarram me impedindo de causar danos maiores.
Com a aparência de uma mulher, sou apenas uma menina, e muitas vezes, um menino. Não sei se esse meu lado moleque é herança de uma infância deliciosa rodeada de primos "maloqueiros", só sei que faço xixi de porta aberta, coloco "velho" no início de muitas frases, sento sem cruzar as pernas, falo alto, e tomo cerveja na padaria...E assim, muitas vezes ao invés de estar no shopping discutindo com as meninas sobre as cores dos sapatos nas vitrines, me vejo parada, encostada num muro de uma rua, única mulher gargalhando com as besteira que cinco homens falam.
Sou a exceção do rostinho bonito e do narizinho empinado. Prefiro um shot de “Seleta” num boteco com os amigos, a uma taça de “Moet Chandon” vinda da mão de um playboy e saída de uma garrafa cheia de foguinhos. Não, não combino com essa aparência snob, vim ao mundo para descobri-lo, e por isso topo tudo, tudo o que estiver escrito nas linhas do MEU jogo, tudo o que for leve, divertido e não perigoso. E sim, podem tocar, que graça teria passar no meio de tantas pessoas sem sentir um abraço, um cheiro, um olhar. Apesar das roupas espalhafatosas, não sou uma vitrine, sou de carne e osso e adoro um aconchego. Gosto dos ombros amigos, dos braços amados, e das mãos bobas. E quem não gosta? Com certeza todos adoram, o problema é que “a regra é clara”, não demonstrar ganha pontos no jogo da vida, que não é aquele da Estrela em que se coloca pininhos num carrinho de plástico. O jogo do mundo real é mais exigente, para ter uma casa temos que nos matar de trabalhar, para ter um amor, temos que fingir que não queremos tê-lo, para termos filhos, precisamos no mínimo de um certo tipo de envolvimento, mesmo que ele venha por um acidente. Por isso nunca gostei de jogar nada, na escola pegava atestado para não fazer educação física, odiava vôlei, basquete, handball, meu negócio era ficar assistindo as briguinhas que as competições causavam. Cartas de baralho não me servem nem para “paciência”, que aliás, é uma das coisas que menos tenho.
Não entendo por que sempre temos que competir, sempre temos que ser melhores que alguém, sempre temos que ser vencedores. Quem disse que estar aqui é melhor que estar ali? Ninguém sabe quem foi, mas todos obedecem obcecados por aquele lugar mais alto do pódio. Essa vidinha mesquinha me cansa, e por isso continuo insistindo nas exceções. Se o legal é andar com o sapato combinando com a bolsa, eu quero que os meus sejam um de cada cor, se o bacana é ir à balada pagar pau pra filhinho de papai pagar a sua bebida, eu quero dançar no meio da rua com uma garrafa de cerveja que eu comprei no supermercado, se para se ter alguém temos que fingir ser quem não somos, prefiro continuar sendo eu mesma, a Maria com aparência de mulher, jeito de menina e a fala de moleque. A bonitinha de nariz empinado que usa tênis sem cadarço, senta na calçada, ri de qualquer coisa, fala tudo o que pensa e transparece tudo o que sente. Qual o problema de sermos quem somos?Não existe problema nenhum, por isso sou aquilo que sou e não o que os outros enxergam.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Ele, Ela e o Muro...


Medo e desejo eram os sentimentos que faziam dele o dono das situações. O desejo era o que o empurrava em direção à ela, e o medo o freio que o impedia de seguir em frente. E assim ele comandava as ações,enquanto ela ansiava por um encontro qualquer.
Toda vez que saia se preparava pra talvez o ver, e quando isso acontecia, a falta de coragem dela em ser apenas aquilo mesmo que era, a tornava na outra que a submergia , como se toda a delicadeza e sensatez, que só aqueles que realmente a conheciam podiam enxergar, se tranformasse numa tormenta turva de emoções que resultavam num misto de atitides contraditórias. Só ela sabia o quanto seu temperamento tempestivo lhe custava, e no seu canto sofrido, se lamentava por mais um desapontamento.
E toda vez era assim, enquanto sua transparência sentimental se escancarava pelos quatro cantos, ele se escondia nas paredes que ele mesmo contruíra com o passar do tempo. Nem mesmo ele sabia o por quê de tantos muros, mas eram estes que bloqueavam qualquer tipo de sentimentalismo da parte dele. A frieza das ações não combinavam com o olhar minucioso e profundo que ele soltava em direção à ela. Os olhos pediam, mas seus pensamentos temerosos o impediam de estender as mãos, e assim, por mais que ela demonstrasse o quanto o queria, seus braços simplesmente se cruzavam numa tentativa quase que desesperada de dizer não. E como tudo na vida, as tentativas falhas e a negativa constante, faziam com que aquela mulher, cansada de não entender, desistisse de compartilhar as suas vontades. A mistura de medo e desejo, controladoras daquele homem, estavam acabando por fazer do som, o silêncio ensurdecedor que ecoava no peito dela calando um amor que ainda nem havia ascendido a chama. Ele ficou ali, estagnado e acomodado naquele mesmo lugar que o fazia sentir-se seguro, não sabia o que era gostar, e não imaginava como era bom deixar que alguém o gostasse. Ela, que já sabia, desistiu de fazê-lo enxergar, e triste, sentiu-se feliz pela primeira lágrima, dona de outro nome, que acabava de escorrer em sua face.