quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Vinte e poucos anos


Chega uma hora que não temos mais para onde fugir, viramos adultos e ponto. E esse é o ponto dos 20 e poucos anos. Estamos longe de sermos velhos, mas estamos ainda mais distantes de sermos crianças. Os problemas começam surgir, o trabalho te consumir, e simplesmente você não pode mais inventar uma dor de barriga pra poder acordar ao meio-dia, você tem que levantar e enfrentar todas as responsabilidades, que no andar da carruagem, lhe viraram cotidianas.
Às vezes eu penso que ter 20 e poucos anos é um porre! É o momento que você se perde, e não se encontra. Você quer sair, e então, vai pra balada, e lá, quando você está tentando esquecer que realmente cresceu, chega um garoto de
19 anos e te pergunta qual a faculdade que você faz, e aí você lembra que está mais perto dos 30 do que dos 20, lembra da sua formatura, que foi há 6 anos , e se desespera por ver que aquele ali não é mais o seu lugar. E aí está a questão: Qual será o nosso lugar?
Com 20 e poucos anos, tendo vivido 1/3 do que poderia viver, me sinto vivida e passada... Algumas amigas começam a namorar, outras casam, e você está ali, parada no meio de garotos que acabaram de prestar vestibular. E lá vem o desespero novamente. Não temos mais para onde ir, e enquanto você se perde, parece que as pessoas da sua idade também estão perdidas em algum lugar bem distante dali.
As coisas vão perdendo a graça e então, você resolve amadurecer, e de perdida você passa à solitária procurando um grande amor, e aí é que o negócio realmente pega, procurar amor? Amor não se procura, amor acontece!
Acontece? Só se for com todos os outros. Parece que o amor é como um Deus, quase que inatingível, principalmente pra quem já amou, pra quem já sentiu o gosto doce de ser amada, sentiu o corpo sair do chão de paixão, e caiu de cabeça no asfalto da desilusão. Como acreditar em amor, se quando se amou o que lhe restou foram cicatrizes de um tombo?
Com 20 e poucos anos, você precisa acreditar em alguma coisa, e então, você começa a acreditar em coisas quais quer! Acredita que você pode tudo, e vem alguém e te mostra que você não pode nada. Acredita quando dizem que você é a mulher mais linda e desacredita quando a mesma pessoa te faz você se achar a mais feia. Acredita que sim, aquele cara que conseguiu fechar uma das mil cicatrizes que você tem, vai ser o "cara" com você, e simplesmente ele se transforma no único cara que você não queria ter. Acredita que vai se apaixonar por aquele homem que não para de te ligar e te quer a qualquer custo, e então quando você resolve dar uma chance a ele, o jeito que ele se veste te brocha, as coisas que ele te diz, te bodeiam, e as flores que ele te deu, dão alergia. É...Acreditar tem sido um verbo cada vez mais difícil de conjugar.
E assim, você volta correndo pro passado, e começa a lembrar de tudo que se foi... Lembra de como se divertia na escola, lembra da primeira vez que você ficou com o seu grande amor, lembra dos planos que fizeram, lembra das intermináveis risadassubstanciosas” que os encontrinhos com as suas amigas te faziam dar, lembra de como não se preocupava com nada e de como você se encaixava em qualquer lugar. Mas mesmo lembrando de tudo que passou, ainda assim, as respostas não respondem aos seus questionamentos. Tentar achar explicações no passado, para construir um futuro, é o erro que deixa nosso presente estagnado.
E assim continuamos procurando, procurando, procurando, e esquecemos que como disse Chico certa vez para Vinícius, a pedido do próprio, “ a vida é pra valer, a vida é pra levar”, e como o velho “ Saravá”, não podemos deixar a vida cansar de esperar, devemos “vivê-la em cada vão momento” porque a” felicidade é como uma pluma que o vento vai levando pelo ar”, e é melhor ser “alegre que ser triste, a alegria é a melhor coisa que existe”.
Para nós que temos um pouco mais de duas décadas, parafraseando mais uma vez aquele “Moraes” que sempre me inspira, eu digo: Morramos ontem, nasçamos amanhã, e andemos onde há espaço, porque o meu, o seu, e o nosso tempo, é quando, e não importa os nossos 20 e poucos anos.