Exceção....na vida tudo poderia vir dela. As regras são chatas, transformam o dia a dia num jogo padronizado. Eu, geminiana nata, que já pela posição dos astros, odeio o cotidiano, a rotina e a mesmice, gostaria de ser a exceção de todas as regras. Ser exceção é muito melhor do que fazer parte daquilo que a sociedade impôs que todos fossem. Somos peões de um tabuleiro mal organizado. Talvez por isso eu sempre perca o jogo. Não gosto que mexam no meu peão, que me façam pular "uma casa”, ”voltar três”, ou “ficar uma vez sem jogar”. No meu tabuleiro quem manda sou eu. Jogo quando quero, e se o dado cair no 1, eu jogo até que ele pare no 6. A vida regrada é sem graça, banal, hipócrita. Ninguém é aquilo que é, todos são aquilo que os outros desejam que sejam, talvez por isso poucos me compreendam e muitos não sabem como me interpretar. Quem me olha, não me enxerga. No físico, tenho a aparência daquelas que entortam o nariz, aquelas que nunca topam nada, as mesmas que possuem aquelas caras de "não me toquem". Cegos aqueles que fazem da primeira impressão a razão. Querer me interpretar supera as barreiras do entendimento, simplesmente porque tenho em mim algo que poucas pessoas possuem: a falta de medo. Não que isso seja bom, porque não ter medo atrapalha, e muito. Sem a barreira dos "temores" a gente se joga, perde a noção, não enxerga limites, e vive sem os pés no chão. E eu sou assim... "jogada" sem jogar. Meus atos, pequenos pra mim, causam gigantes turbulências. Não faço rodeios, digo tudo o que penso, e na forma que eu acho que tenho que dizer. Não, isso não é bom. Talvez me falte uma hipocrisia comedida para balancear, aquela coisa de ser, mas não transparecer que todos adoram. Mas, infelizmente não sou hipócrita e transpareço, e ái de quem resolver me dar uma bronca por eu ser Maria de mais. Minhas amigas que vos digam. Elas são o resquício da minha hipocrisia, são elas que me lembram que apesar de eu querer, nem sempre posso ser a exceção de tudo. São elas as vozes que me amarram me impedindo de causar danos maiores.
Com a aparência de uma mulher, sou apenas uma menina, e muitas vezes, um menino. Não sei se esse meu lado moleque é herança de uma infância deliciosa rodeada de primos "maloqueiros", só sei que faço xixi de porta aberta, coloco "velho" no início de muitas frases, sento sem cruzar as pernas, falo alto, e tomo cerveja na padaria...E assim, muitas vezes ao invés de estar no shopping discutindo com as meninas sobre as cores dos sapatos nas vitrines, me vejo parada, encostada num muro de uma rua, única mulher gargalhando com as besteira que cinco homens falam.
Sou a exceção do rostinho bonito e do narizinho empinado. Prefiro um shot de “Seleta” num boteco com os amigos, a uma taça de “Moet Chandon” vinda da mão de um playboy e saída de uma garrafa cheia de foguinhos. Não, não combino com essa aparência snob, vim ao mundo para descobri-lo, e por isso topo tudo, tudo o que estiver escrito nas linhas do MEU jogo, tudo o que for leve, divertido e não perigoso. E sim, podem tocar, que graça teria passar no meio de tantas pessoas sem sentir um abraço, um cheiro, um olhar. Apesar das roupas espalhafatosas, não sou uma vitrine, sou de carne e osso e adoro um aconchego. Gosto dos ombros amigos, dos braços amados, e das mãos bobas. E quem não gosta? Com certeza todos adoram, o problema é que “a regra é clara”, não demonstrar ganha pontos no jogo da vida, que não é aquele da Estrela em que se coloca pininhos num carrinho de plástico. O jogo do mundo real é mais exigente, para ter uma casa temos que nos matar de trabalhar, para ter um amor, temos que fingir que não queremos tê-lo, para termos filhos, precisamos no mínimo de um certo tipo de envolvimento, mesmo que ele venha por um acidente. Por isso nunca gostei de jogar nada, na escola pegava atestado para não fazer educação física, odiava vôlei, basquete, handball, meu negócio era ficar assistindo as briguinhas que as competições causavam. Cartas de baralho não me servem nem para “paciência”, que aliás, é uma das coisas que menos tenho.
Não entendo por que sempre temos que competir, sempre temos que ser melhores que alguém, sempre temos que ser vencedores. Quem disse que estar aqui é melhor que estar ali? Ninguém sabe quem foi, mas todos obedecem obcecados por aquele lugar mais alto do pódio. Essa vidinha mesquinha me cansa, e por isso continuo insistindo nas exceções. Se o legal é andar com o sapato combinando com a bolsa, eu quero que os meus sejam um de cada cor, se o bacana é ir à balada pagar pau pra filhinho de papai pagar a sua bebida, eu quero dançar no meio da rua com uma garrafa de cerveja que eu comprei no supermercado, se para se ter alguém temos que fingir ser quem não somos, prefiro continuar sendo eu mesma, a Maria com aparência de mulher, jeito de menina e a fala de moleque. A bonitinha de nariz empinado que usa tênis sem cadarço, senta na calçada, ri de qualquer coisa, fala tudo o que pensa e transparece tudo o que sente. Qual o problema de sermos quem somos?Não existe problema nenhum, por isso sou aquilo que sou e não o que os outros enxergam.
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